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Você tem uma nova mensagem…
de Gustavo Rocha | Quinta, 16 de Outubro de 2008
Com a tecnologia, a produtividade aumentou. O desafio agora é saber a hora de parar diante de tantos estímulos.
Nos últimos 25 000 anos — contando apenas até o ano de 2002 — a humanidade gerou um volume de informações escritas ou em formato de imagens e sons equivalente a 5 hexabytes. De lá até 2006, ou seja, em um intervalo de quatro anos, produzimos mais de 160 hexabytes. E a previsão para 2010 é que o montante produzido supere 900 hexabytes.
A qualidade, claro, não é a mesma. Nos primórdios, estão incluídas no conjunto de dados as grandes obras literárias e de artes plásticas, mas, depois disso, a maior parte dessa informação vem mesmo naquele formato que pula na sua tela a cada dois segundos, chamado “Você tem uma nova mensagem”. Ou seja, os e-mails. Uma pesquisa recente da RescueTime, consultoria americana que analisa hábitos digitais, mostrou que um funcionário típico de uma empresa de tecnologia consulta seu programa de e-mails 50 vezes ao dia. E recorre ao software de mensagens instantâneas 77 vezes ao dia, algo que ninguém pensava em fazer há dez anos. Um levantamento do Pew Survey, instituto de pesquisa digital, dos Estados Unidos, mostrou que, em 2002, 60% dos trabalhadores recebiam até dez mensagens ao dia.
Hoje, a média nas grandes organizações gira em torno de 100 mensagens diárias. Foi nesse mesmo clima que as companhias resolveram presentear seus executivos com smartphones, um computador de mão que carrega um celular. “Quando acontece isso, de certa forma a empresa espera que o profissional esteja disponível para ler os e-mails instantaneamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados”, diz Ricardo Basaglia, gerente da divisão de TI da Michael Page, empresa de busca de executivos de São Paulo. Essa dependência ganhou até um nome: crackberry, a maneira como os americanos começaram a chamar a síndrome que atinge aqueles que estão obcecados por seus aparelhinhos.
TECNOLOGIA A FAVOR
O avanço da tecnologia tem dois lados e o mais sombrio é justamente aquele que tem a ver com esse mar de informações. As ferramentas tomaram conta da agenda dos trabalhadores nos últimos dez anos. Tanto que empresas como Microsoft, Google, IBM e Intel se uniram nos Estados Unidos para melhorar a situação em que seus funcionários se colocaram por causa do excesso de e-mails, mensagens instantâneas e afins. As gigantes estão criando maneiras de desafogar as pessoas e aumentar a produtividade. A Basex, companhia americana de pesquisa, mostrou que o país gasta mais de 650 bilhões de dólares por ano em perdas de produtividade, muitas vezes geradas pelas interrupções desnecessárias da comunicação online, como messenger ou e-mail. Mas há uma luz no final do túnel digital: as empresas estão aproveitando as mesmas facilidades que prendem os trabalhadores à frente do computador para dar mais qualidade à vida dos profissionais.
Na sede da Unilever britânica, por exemplo, há uma área do departamento de recursos humanos que cuida justamente de encontrar soluções tecnológicas para que as pessoas trabalhem melhor e tenham mais tempo para si mesmas. Uma dessas inovações acaba de chegar à subsidiária brasileira. Preocupada com o tempo que seus funcionários despendiam em reuniões em diversos países, a sede da Unilever, em São Paulo, investiu no TelePresence, a mais nova tecnologia de videoconferência, lançada pela Cisco no ano passado. Com ela é possível realizar conferências em tempo real, como se os participantes da reunião estivessem fisicamente na mesma sala. “Nosso objetivo é diminuir o tempo de deslocamento das pessoas”, conta Denise Paschoal, diretora de inovação de RH Américas, da Unilever. “Uma reunião em Londres, que antes ocupava cinco dias, hoje toma algumas horas.”
Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/102008/15102008-43.shl
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